Café Futuro em Queda: Entenda o Efeito do Mercado Invertido nas Vendas da Nova Safra
- MKT FG

- há 5 dias
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O mercado de café está enfrentando uma das suas fases mais desafiadoras em termos de comercialização futura. A queda nos preços dos contratos futuros e a presença de um cenário conhecido como mercado invertido têm gerado insegurança entre os produtores e desacelerado a venda antecipada da safra 2026/27.
Mas antes de entender os impactos, é importante recapitular: o que é o café futuro?

O que é Café Futuro?
O café futuro é um contrato padronizado negociado em bolsas como a ICE (Nova York) ou a B3 (Brasil), no qual produtor e comprador acordam hoje o preço de um lote de café (ex: 250 sacas de 60 kg) a ser entregue numa data específica no futuro. A principal vantagem desse tipo de negociação é a gestão de risco, pois garante previsibilidade de receita ao cafeicultor e protege contra flutuações de preço até a colheita.
O que é o Mercado Invertido?
O termo mercado invertido surge quando o preço futuro do café (por exemplo, entrega em setembro de 2026) é mais baixo do que o preço do café disponível atualmente no mercado físico.
E é exatamente esse cenário que está impactando negativamente as vendas futuras da safra brasileira. Segundo dados da Safras & Mercado, apenas 8% da produção da safra 2026/27 foi vendida até 20 de janeiro — abaixo dos 9% do ano anterior e muito distante da média histórica de 17%.
R$ 210 de Diferença no Preço
A distorção de valores é clara: o contrato para setembro de 2026 na Bolsa de Nova York está cerca de R$ 210 abaixo da cotação do café disponível para entrega imediata.
Segundo Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, “o preço futuro permanece inferior ao físico imediato, o que desestimula a comercialização antecipada”. Com isso, o produtor prefere vender a “safra velha” que tem em estoque e postergar qualquer decisão sobre a nova safra. A expectativa é que o preço futuro volte a subir, o que aumentaria a atratividade desses contratos.
Venda da Safra Atual Avança, Mas Ainda Abaixo da Média
Enquanto isso, a comercialização da safra 2025/26 atingiu 76%, uma leve alta em relação ao mês anterior, mas ainda abaixo dos 85% registrados no mesmo período de 2024.
Essa cautela dos produtores, embora compreensível, também afeta o fluxo de caixa no curto prazo. A gestão atual passa a depender da liquidez gerada com o café disponível, enquanto os compromissos com a nova safra são adiados.
Reflexão Final
Diante desse cenário, produtores e agentes de mercado devem redobrar a atenção aos movimentos da bolsa, fundamentos do mercado físico e oportunidades pontuais de negociação. O momento exige estratégia, cautela e uma boa dose de leitura de cenário. Fonte:Revista Forbes BR | Análise baseada em dados da consultoria Safras & Mercado



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