Da secura extrema ao calor arrebatador: o novo desafio da cafeicultura brasileira
- MKT FG
- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O calor extremo e as chuvas irregulares estão reescrevendo o futuro da produção de café no Brasil — e a resposta exige mais do que manejo técnico. Ela passa por ciência, inovação genética e decisões estratégicas no campo.

Enquanto as xícaras de café seguem preenchendo mesas ao redor do mundo, as lavouras brasileiras enfrentam uma realidade cada vez mais desafiadora: o clima extremo.
Em novembro, temperaturas acima de 33°C atingiram as principais regiões produtoras de café arábica em Minas Gerais, comprometendo processos fisiológicos fundamentais do cafeeiro, como transpiração e fotossíntese. A consequência? Queda na produtividade, estresse nas plantas e respostas ineficazes aos manejos tradicionais, mesmo com o uso de irrigação.
“O sistema do cafeeiro é afetado, tanto na transpiração como na fotossíntese. O calor excessivo é um dos pontos mais difíceis de corrigir”, alerta o engenheiro agrônomo Jonas Leme Ferraresso, especialista em cafeicultura.
Uma crise que vem do céu
Segundo o produtor Mateus Oliveira, de Simonésia (MG), a situação é crítica: “As lavouras não estão respondendo corretamente aos manejos”. As chuvas recentes, embora pontuais, não foram suficientes para repor a reserva hídrica no solo, acumulando déficits desde o final de 2024.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta: 2025 pode entrar para a história como um dos anos mais quentes já registrados, agravando os impactos sobre cultivos tropicais sensíveis, como o café.
A resposta está na ciência — e na biodiversidade
A adaptação climática já é realidade em centros de pesquisa. Estão em curso iniciativas para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao calor e à seca, com foco em genética, sombreamento estratégico e manejo hídrico preciso.
Um dos destaques é a pesquisa do cientista Aaron Davis, do Royal Botanic Gardens, Kew (Reino Unido), que busca espécies selvagens entre as 131 variedades conhecidas de Coffea que possuem resistência natural a extremos climáticos. A ideia é promover o cruzamento dessas espécies com variedades comerciais, mantendo qualidade e resiliência.
Preservar o café brasileiro exige ação urgente
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, e qualquer impacto sobre sua produção reverbera globalmente. Proteger esse ativo exige uma nova mentalidade: investir em pesquisa agroclimática, fomentar transferência de tecnologia para pequenos produtores e reforçar sistemas produtivos regenerativos.
O futuro da cafeicultura não será uma repetição do passado. E isso exige preparo. Fontes: SciElo Br, Revista Veja, Canal Rural & Notícias Agrícolas. Curadoria: Equipe Comunicação e Marketing | FG Corretagens