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Gargalo nos Portos: por que o café brasileiro está empacando na reta final da exportação

  • Foto do escritor: MKT FG
    MKT FG
  • 10 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O Brasil domina o mercado global de café, mas enfrenta um obstáculo que não nasce no campo — e sim na porta de saída do país. A infraestrutura portuária brasileira, especialmente no Porto de Santos, tem se mostrado insuficiente para acompanhar o ritmo de produção e exportação do agronegócio. O resultado: atrasos, custos elevados e risco direto à qualidade do café, um produto altamente sensível a condições inadequadas de armazenamento.


De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), aproximadamente 80% das exportações de café passam pelo Porto de Santos, que opera há anos no limite de sua capacidade. Relatórios e análises publicadas ao longo de 2024 e 2025 indicam que o terminal enfrenta gargalos estruturais que comprometem a eficiência da cadeia logística.

Um problema estrutural: capacidade insuficiente e armazenagem inadequada

Com safras que frequentemente superam 60 milhões de sacas, a produção brasileira exige infraestrutura compatível — o que não ocorre atualmente. A falta de armazéns climatizados e específicos para grãos compromete a segurança do produto. Café é altamente sensível a:

  • variações de umidade;

  • absorção de odores externos;

  • contaminação cruzada;

  • temperaturas inadequadas durante o armazenamento.

Sem infraestrutura apropriada, cargas aguardam em locais improvisados, ampliando o risco de perda de qualidade e elevando os custos operacionais dos exportadores.

Impacto direto na cadeia logística

O gargalo portuário desencadeia uma série de efeitos:

  • filas extensas de caminhões aguardando descarga;

  • atrasos no carregamento de navios, comprometendo contratos e cronogramas internacionais;

  • aumento de custos com demurrage, quando navios são obrigados a esperar mais do que o previsto;

  • perda de competitividade, já que compradores internacionais precisam de previsibilidade e eficiência.

O Brasil, líder global, perde valor justamente na etapa final — aquela que deveria ser a mais confiável da cadeia.


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A saída: investimento e modernização

Especialistas são unânimes: não existe solução de curto prazo. A resposta passa por:

  • expansão da capacidade estática dos terminais;

  • modernização de equipamentos de armazenagem e movimentação;

  • ampliação de estruturas climatizadas específicas para grãos;

  • investimentos públicos e privados coordenados;

  • diversificação das rotas e portos utilizados pelo setor.



Até que isso aconteça, o café brasileiro continuará enfrentando um paradoxo:produzimos um dos melhores cafés do mundo, mas esbarramos na logística básica para entregá-lo ao consumidor global.

Quando se resolve um problema externo — tarifas, clima, mercado — surge outro interno, ainda mais estrutural e desafiador.

Fontes

  • Canal Rural – reportagens sobre logística e gargalos portuários.

  • Forbes Brasil – análises sobre exportações e infraestrutura.

  • Cecafé – relatórios técnicos de exportação e capacidade logística.

  • Análises da equipe de Marketing FG Corretagens (2025).

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